Praga – A Pérola do Oriente

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O dia começou a mil…

Por ser nosso último dia na cidade, queríamos aproveitar e extrair ao máximo os dois bairros a que faltávamos explorar: Old Town (cidade velha) e Josefov (bairro judeu).

A Old Town (cidade velha) é o coração e alma da cidade. Famosa por mais de seis séculos atrás, realizar um mercado todos os sábados, e destacar a região como a principal área de comércio da cidade. Isso, até John de Luxemburgo dar aos burgueses a permissão de formar um conselho municipal e a cidade antiga, sofrer construções vistas até hoje.

Atualmente, a região se destaca pela Casa Municipal (Municipal House), o Powder Gate (Portão Pólvora) e a Praça da Cidade Velha (Old Town Square).

O Portão da Pólvora, por exemplo, teve sua primeira construção ainda no séc. XI e era chamado de Torre Nova. Anos mais tarde, em 1475, por ordem do rei Vladilav II foi reconstruído, possuindo 188 degraus e 44 metros de altura. Já no séc. XVII, por ser utilizado como armazém de paiol, foi rebatizado para Portão da Pólvora.

Hoje, funciona como ponto turístico, além de permitir uma excelente visão da cidade.

Já a Praça da Cidade Velha, além, dos seus pontos turísticos: a Igreja de Nossa Senhora de Tyn, a Igreja de São Nicholas, o antigo prédio da prefeitura e o relógio astronômico medieval, está cercada por bares, restaurantes e cafés.

O relógio astronômico medieval (Orloj) é a principal atração desta parte da cidade. Localizado na parede da prefeitura da cidade velha, é composto por três partes: o ponteiro astronômico, que representa o sol e a lua no céu, os apóstolos, representados a cada troca de hora com figuras e outras esculturas em movimento e o calendário, representando os zodíacos/ meses do ano.

Iniciado no séc. XV por Mikulas de Kadan e Jan Sindel (construtores do ponteiro), o relógio é considerado o terceiro do seu tipo (primeiro em Pádua 1334). E a cada virada de hora, acontece à dança dos apóstolos, onde a caveira representando a “morte” se mexe e puxa a corda, os sinos soam e através da porta que se abre as estátuas dos apóstolos “dançam”, entrando e saindo do prédio, representando o fim do mundo.

Um verdadeiro espetáculo que atrai centenas de pessoas a cada hora, para um relógio cercado de mitos e lendas.

Já que segundo a lenda, o rei ordena arrancarem os olhos do construtor (Jan Taborský), para que ele nunca mais construísse algo parecido. E logo, após sua morte, o relógio para de funcionar até o ano de 1866.

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No entanto, o que se sabe de fato é que com a 2ª Guerra Mundial (1945), durante um ataque nazista, os alemães atiaram fogo na Prefeitura da cidade e o relógio todo foram queimados. Somente, anos mais tarde, em 1948, depois de muita pesquisa é que voltou ao seu funcionamento.

Tivemos sorte, porque presenciamos, não só a virada da hora, mas, também a história do país sendo contada com um show de luzes, no relógio, no dia que chegamos.

De lá, nosso passeio continuou para o bairro judeu – Josefov.

Perseguidos durante toda sua história, o povo judeu totalmente isolado e recluso da sociedade, construiu Josefov dentro de uma muralha. Até que Joseph II (imperador da época), através do Tratado da Tolerância, acaba com a discriminação e incorpora o bairro ao resto da cidade, permitindo seu desenvolvimento.

Anos mais tarde, com a dominação nazista e o bairro totalmente destruído, só o cemitério e seis sinagogoas foram o que restaram daquele período. Monumentos estes, que se tornaram as principais atrações do bairro.

Dentre eles, a Antiga Nova Sinagoga (mais antiga da Europa), a Alta Sinagoga, a Sinagoga Espanhola, o Convento de St. Agnes e o Antigo Cemitério Judeu ( de 1478, com 12 mil lápides). Que juntos, formam um dos maiores acervos da cultura judaica do mundo.

O bairro também, se tornou muito famoso, por ser a região que nasceu e se criou Franz Kafka (escritor). Hoje, é conhecido e considerado a pequena Paris. Já que abriga a rua mais cara da cidade com grandes marcas e grifes internacionais.

O que faz de Praga, uma surpresa a cada esquina e história descoberta. Que digam suas recordações: cristais, fantoches e bonecas (de vários tamanhos de madeira).

Contudo, só posso resumir que Praga é exatamente tudo isso e muito mais. A capital de um país “jovem” independentemente, tão vivaz, encantadora e enriquecedora.

Fatores estes, que ostentam a fama de Praga – A Pérola do Oriente, a todos os que tem privilégio em conhecer.

Castelo de Praga

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Castelos são sempre castelos não importam sua ostentação, beleza ou história, todos sem exceções exercem fascínio quando visitados. Principalmente, se eles estiverem localizados no continente “velho” do mundo – a Europa.

Europa esta, que anexa a história de todos os seus países, fortalezas, palácios, castelos e impérios, sejam dos mais simples aos mais glamorosos. Tornando-se um prato cheio aos seus admiradores.

Por isso, com a República Tcheca e sua capital não poderiam ser diferentes. Localizado no bairro Hradcany, o castelo de Praga (principal do país) foi iniciado no séc. IX pelo duque Borijoj (fundador dos Premysl), que construiu no alto da colina, uma estrutura de madeira, barro e pedras rodeadas por um fosso, para controlar as embarcações que passavam pelo rio Moldava (Vltava em tcheco).

Fato este, que além de marcar a fundação da cidade, foi sede da família real Premyslid (dinastia), que por diversos séculos, estiveram à frente dos assuntos relacionados ao castelo e a história da cidade.

Com o passar dos tempos, o local serviu também de sede para reis da Boêmia, mas, desde 1918 é a residência oficial de alguns Presidentes da República, incluindo o atual.

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Considerado o maior castelo do mundo, com uma área superior a 72, 5 mil m², o local é praticamente uma cidade. Isso, graças a suas sete estruturas (Catedral de S. Vito, Torre da Pólvora, Palácio Real do Castelo de Praga, Torre Dalibor, Convento de São Jorge, Palácio Lobkowicz  e a Viela Dourada) que formam o complexo – castelo de Praga.

Dentre todas as suas atrações, sem dúvida alguma, a de mais destaque e imponência é a Catedral de S. Vito.

Com uma construção que levou quase 600 anos (1344- 1929), para ser concluída, a catedral se destaca por ter sido palco da coroação de vários reis e imperadores, estilo Gótico (exterior), estilo Renascença e Barroco (interior), colunas (50 metros) e suas altas torres.

Já seu interior é um espetáculo a parte…

Segundo sua história, a catedral foi planejada na época para ser uma construção que impactasse os fiéis. Causando a assimilação do poder de Deus e dos nobres ao resto da população.

Por isso, muitos vitrais, detalhes, capelas, riqueza, além, da cripta real (incluindo do Rei Carlos IV – o da ponte da cidade), com diversos túmulos de reis e as jóias reais da coroa Tcheca.

Jóais estas, trancadas a sete cadeados, guardadas pelos “guardiões” da coroa. Neste caso, as pessoas mais importantes do país, incluindo o primeiro ministro e o presidente. E só podem ser abertas quando todas as chaves são utilizadas ao mesmo tempo.

Dentre estas jóias, está a coroa de Vencenslau (utilizada nas coroações), que segundo a lenda, aquele coroado injustamente, seria amaldiçoado e pagaria com sua morte. Muitos, provaram isso depois de suas coroações.

E embora, grande parte do complexo seja aberto a visitação pública, para visitar a igreja e todas as outras estruturas, precisa-se adquirir os tickets vendidos dentro do local.

Por isso, nossa segunda parada foi a Torre da Pólvora.

De um total de 13 torres defensivas que faziam parte das muralhas, a torre da Pólvora embora, reconstruída foi a única que restou após as invasões.

E recebeu este nome, por perder suas funções de defesa e ter sido convertida em um armazém de pólvora.

Outro prédio em destaque é a Viela do Ouro – Golden Lane, onde, ficavam os ourives da época, em ruas minúsculas e casas coloridas. Área famosa, também pelo seu morador ilustre Franz Kafka (escritor).

Nesta região, aproveite também para visitar a Torre Dalibor – Daliborka, que foi o local de prisão de Dalibor, conhecido como Robin Hood tcheco. Além, da Basílica de São George e o Antigo Palácio Real (Old Royal Palace).

Um passeio que recomendo, sem dúvida alguma, não só pela sua beleza, mas por sua história encantadora.

Explorando Praga

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Após passar a madrugada lendo o livro e selecionando lugar por lugar que gostaria de conhecer, melhor dizendo, quase a cidade inteira, acordamos cedo para aproveitar o longo dia que tínhamos pela frente.

Dividida em cinco bairros turísticos: Prague Castle & Hradcany (castelo e fundação da cidade), Malá Strana (construções anteriores ao séc. XIX), Josefov (bairro judeu), Old Town (cidade velha, centro) e New Town (cidade nova), a cidade é rica de cultura e atrações por todos os cantos. O que faz cada bairro ser único e incrível.

E para começarmos o dia, nossa meta foi percorrer Prague Castle e Malá Strana, que se localizam do outro lado do rio Vltava que corta a cidade.

Com isso, a catedral de St. Nicholas foi nossa primeira parada. Catedral esta, que pagamos para conhecer por engano, afinal, confundi o nome das catedrais e pensei que ali eram guardadas as jóias da coroa real. Só podia ser eu mesmo.

Depois, tivemos como destino o castelo de Praga (que será reservado um post a parte), o Royal Gardens e o Loreto (réplica da original Santa Casa em Loreto/Itália), uma das primeiras construções barrocas.

Royal Gardens

o Loreto

Por serem bairros relativamente pequenos, é possível percorrê-los a pé. E seguimos para o nosso segundo destino do dia – Malá Strana.

O bairro, localizado a vinte minutos a pé do castelo, por duas vezes já foi destruído. A primeira em 1419 com a guerra dos Husitas e a segunda em 1514 no grande incêndio.

Hoje, ele é considerado a região mais verde da cidade e se destaca por seus jardins arborizados, praças e trilhas. E tem como destaque, a Praça Malastranske Namesti, o Parque Petrin (Petrin Hill) e a ponte Carlos (Charles Bridge).

Entre as atrações do parque estão: o Labirinto de Espelhos, o estádio Strahov, o mosteiro Strahov e a Torre de Observação.

Malá Strana com o parque Petrin

estádio Strahov

A torre (1891), mas conhecida como a mini Eiffel Tower é uma torre de observação de 299 degraus (pagando-se quase o dobro sobe-se de elevador), 64m e tem-se a melhor vista da cidade.

Já a Ponte Carlos, é a ponte mais velha da cidade que atravessa o rio Vltava. Construída em 1357, pelo rei Carlos IV, sua finalização só ocorreu no séc. XV. E foi por anos, a única via de comunicação entre os dois lados da cidade (Cidade Velha e a zona do castelo).  

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Com uma largura de quase 10 metros e 516 metros de extensão, a ponte é protegida por três torres. Duas do lado do castelo e a terceira no lado da Cidade Velha, o que é considerado por muitos, como uma das melhores estruturas góticas do mundo. Além de estar decorada com 30 réplicas de estátuas, já que as originais estão no Museu Nacional, construídas em estilo barroco e que representam santos e patronos daquela época (1683 – 1714).

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A essa altura do campeonato, acredito que não precise nem mencionar, que estávamos pra lá de exaustos. Entretanto, ainda tivemos energia para cruzar o rio pelo outro lado e explorar a parte Nové Mesto (cidade nova) da cidade.

Fundada por Charles IV em 1348, a cidade nova foi construída por fora dos muros da cidade antiga. E hoje, destaca-se pela quantidade de prédios “novos” na cidade.

Tendo como destaque, a Praça Venceslau, o teatro Nacional e a “casa dançante”.

teatro Nacional

A “casa dançante” é um prédio de arquitetura neogótico, art-neveau e neobarroco, desenhada pelos arquitetos Vlado Milunic e Fank Gehry, para ocupar uma área vazia desde o bombardeio de Praga em 1945.

A construção que demorou dois anos (1994 – 1996) tinha como plano original ser um centro cultural (só assim foi aprovada), no entanto, virou um prédio comercial com escritório, que abriga multinacionais. E é chamado de Fred e Ginger (Fred Astaire e Ginger Rogers), por lembrar um par de dançarinos.

Por fim, nosso dia terminou passeando novamente pelo centro, visitando as lojinhas de souvenires e planejando nossas bodas de algodão.

Praga – República Tcheca

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Começar uma viagem sem nenhum perrengue ultimamente, não é viagem. Por isso, com Praga não poderia ser diferente.

Desta vez, porém, o aeroporto, a viagem, mesmo sendo estréia Easyjet (companhia low cost, concorrente da Ryanair), saíram muito melhor do que imaginávamos.

Mas, se o perrengue não começa do lado de cá, então…

Assim que desembarcamos, pedimos informação no guichê do aeroporto sobre os meios de transportes e opções que tínhamos para chegar ao nosso hotel, no centro da cidade. E a atendente na hora mandou esperarmos do lado de fora, onde fica o terminal de ônibus que o nosso passaria no local.

Ok, se a recomendação é esperar, então vamos esperar. Mesmo, sem sabermos ao certo qual ponto deveríamos esperar dentre as tantas opções que tínhamos.

Com isso, meia hora se passou, e quando o primeiro ônibus chegou, ao tentarmos embarcar o motorista que não falava uma palavra em inglês, sinalizou que estávamos no ônibus errado e que os tickets deveriam ser comprados antes do embarque. O quê?

Dá-lhe voltarmos para o guichê de informações. Onde a mesma atendente, repetiu exatamente a informação anterior. Não convencidos, fomos pedir informação na empresa de passagens, e desta vez, a moça assim que olhou nosso papel com as instruções, já tratou de nos vender os bilhetes. O problema como se não bastasse, foi descobrir nessa hora que embora a República Tcheca pertença à comunidade européia, ela é mais um país que o euro, não vigora. Resumindo, dá – lhe pagar taxa cambial novamente.

E outra meia hora foi perdida até recebermos a orientação correta sobre qual ponto esperar nosso ônibus. Vencido estes obstáculos e após ônibus e metrô, finalmente, chegamos ao hotel.

O hotel, que por si só já merecia um capítulo. Porque aluguei um quarto para casal com banheiro e quando chego ao quarto, era um apartamento inteiro. Com sala, quarto, cozinha e banheiro enormes! Até pensei que estivéssemos com as chaves erradas, mas por ser prédio antigo, tivemos sorte.

E embora, já estivéssemos no comecinho da noite, saímos para ter as nossas primeiras impressões da cidade.

Cidade esta, que me encantou logo nas primeiras caminhadas.

Começamos pelo centro da cidade, na Cidade Nova (Nové Mestro), considerado o coração da cidade. E logo nos deparamos com a Praça Venceslau (Václavske Námesti).

 Na verdade, de praça não tem nada. É uma enorme avenida, com duas pistas de trânsito e um canteiro com flores central. Cercada, por algumas construções em destaque, como, o Hotel Europa (em Art Noveau de 1903), Casa Eslava (centro cultural), Ópera Estatal (teatro ao fundo) e o Museu Nacional.

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Entretanto, sua história assim como a do país é uma atração a parte. A estátua de São Venceslau com o cavalo representa seu assassinato a mais de mil anos atrás por seu irmão. E a praça foi o cenário político de Praga, nas manifestações anticomunismo: a “Primavera de Praga” e a “Revolução de Veludo”.

Haja história em tão poucos metros!

Posteriormente, dominados pela fome, jantamos em um restaurante típico tcheco, localizado entre a cidade nova e a cidade velha.

E após o jantar, com as energias recuperadas, percorremos alguns dos mais famosos pontos da cidade, com direito a espetáculo no relógio astronômico, com duração de dez minutos, contando a história do país.

o castelo de Praga ao fundo

O que me motivou ainda mais, com cada passo dado e lugar visto à noite, passar duas horas da madrugada, lendo o livro de viagem para o dia seguinte.